Pesquisa divulgada nesta semana pelo Portal Contábeis, com base no estudo “Diagnóstico Reforma Tributária” da IOB, traz um número que merece atenção do empresário: 95% das 967 empresas pesquisadas ainda não atualizaram seus cadastros fiscais para as exigências de IBS e CBS — os novos tributos da Reforma Tributária que já aparecem, em fase de teste, nos documentos fiscais eletrônicos.
O fato, verificado
O levantamento da IOB ouviu 967 empresas de diferentes portes e regimes entre abril e maio de 2026. Além dos 95% com cadastros desatualizados, 48% dos respondentes desconheciam que erros de parametrização podem impedir a emissão de notas fiscais, e apenas 5% haviam atualizado o cadastro de produtos.
O contexto regulatório é conhecido: pelo cronograma vigente do Comitê Gestor do IBS (CGIBS), o prazo de adequação dos sistemas emissores encerra em 31/07/2026, e a partir de 03/08/2026 o preenchimento dos campos de IBS e CBS passa a ser exigido nos documentos fiscais eletrônicos do regime regular, com rejeição sistêmica das notas incompletas. Há, porém, um ponto de atenção: em nota conjunta de 27/07, Receita Federal e CGIBS anunciaram que um novo ato com o cronograma definitivo por tipo de documento será publicado, com leiautes divulgados com pelo menos 60 dias de antecedência. Ou seja, o calendário está em revisão — mas, até a publicação do ato, a referência oficial continua sendo 03/08.
Visão crítica OSET
A leitura que fazemos é dupla. No curto prazo, o tema é operacional: cadastros de produtos (NCM, CST, CFOP), parametrização do emissor e testes de emissão. Quem depende de nota para faturar não pode descobrir o problema no dia em que a rejeição acontecer.
No médio prazo, o dado dos 95% revela algo maior: a transição da Reforma está avançando mais rápido do que a capacidade média de adaptação das empresas. E cada mudança de regra — cronogramas, leiautes, alíquotas-teste — amplia o gap natural entre o que a empresa recolhe e o que a legislação atual permite. É exatamente nesse intervalo que costumam existir possíveis valores recuperáveis e oportunidades de revisão fiscal para quem audita a documentação dos últimos 5 anos, sempre como resultado preliminar sujeito à validação documental. 2026, aliás, é o último ano inteiro do sistema atual de PIS/Cofins: a escrituração deste período é a “fotografia” que servirá de base para qualquer revisão fiscal futura.
O que fazer agora
- Conferir com o fornecedor do ERP/emissor se os campos de IBS e CBS já estão habilitados e testados.
- Revisar o cadastro de produtos e serviços (NCM, CST, CFOP) antes do marco de agosto.
- Aproveitar o movimento de organização documental para um diagnóstico fiscal dos últimos 5 anos.
A OSET acompanha o tema diariamente e realiza auditoria técnica com memória de cálculo e segurança jurídica, com honorários vinculados ao êxito. Para entender como a transição afeta sua operação e quais possíveis oportunidades a revisão documental pode indicar, conheça nosso trabalho em Reforma Tributária aplicada.
Fontes: Portal Contábeis (29/07/2026); estudo “Diagnóstico Reforma Tributária” — IOB (967 empresas, abr-mai/2026); Comitê Gestor do IBS — CGIBS (comunicados oficiais); Receita Federal (nota conjunta de 27/07/2026).
A análise depende da documentação, do regime tributário e do caso concreto. O diagnóstico preliminar não garante resultado. OSET Empresarial LTDA · CNPJ 28.750.072/0001-75.